segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Capítulo 5


“Grandes argolas e lábios escuros, minhas amigas bagunçando em meu Maserati. Chiques em Santa Barbara, no La Super Rica. Pegando os tacos, conferindo os gatos, agora estamos falando de astrologia fazendo as nossas unhas no estilo japonês. De manhã bebendo no Wildcat, cantando muito mal Mariah Carey no karaokê. Isso não é grande coisa, é o que nós fazemos, sim, relaxamos, descontraímos. Somos cativantes”.

Rafaella ON

– Eu não acredito que você e o Bruce transaram. – Beatriz exclamou enquanto Bianca bebia água. Ela deu de ombros.

         – Ué, o que é que tem? Estávamos bêbados. – Ela ligou a esteira e começou a correr ao meu lado, enquanto Beatriz secava o suor e o professor regulava a bicicleta pra ela.

         – Pelo menos você tem isso ao seu favor. – Beatriz riu e agradeceu a ele. Subindo na bicicleta e começando a pedalar.

         – Nada de “tem isso ao seu favor”, Beatriz. Não a apoie. – Bianca rolou os olhos. – Você podia muito bem ser modelo, cozinheira, qualquer coisa, menos isso. – Beatriz riu da minha preocupação. – Tudo o que você vai conseguir com isso é um estômago ferrado, uma garganta toda machucada e um fígado todo arruinado. Sem falar dos seus rins.

         – Euem, quando eu morrer os bichos vão comer tudo mesmo. – Deu de ombros. Beatriz riu.

         – Para de rir, Beatriz. Isso não é engraçado. – Vociferei e ela me encarou incrédula.

         – Deixa de ser chata. Nem ela que fez a merda está tão preocupada assim, porque você tem que ficar? Meu Deus! – Bianca riu e fez um high-five com a Menezes, rolei meus olhos.

         – Quero ver quando for pra cama com alguém que não presta. Alguém que faça o que... – Bianca não deixou que eu terminasse de falar.

         – Vira essa boca pra lá, minha filha. – Secou o suor e continuou correndo na esteira. – Eu nunca fiquei bêbada a esse ponto e nunca vou ficar. Pelo amor de Deus, não fala merda. Eu fico bêbada, mas tenho consciência do que eu faço.

         – Então você sabia que estava indo pra cama com o Bruce? – Beatriz perguntou parando de pedalar.

         Bianca parou de fazer a esteira e deu de ombros enquanto ia para a bicicleta, eu e Beatriz caímos na gargalhada.

         – Meu Deus, Bianca. Você estava consciente? – Perguntei rindo e Beatriz voltou a pedalar.

         – E que mal tem? – Ela perguntou rindo. – Eu sou uma mulher solteira, livre, com 21 anos e que fica bêbada constantemente. Bruce Skyroz é um meio divorciado, livre, com 34 anos e que fica bêbado constantemente. Nós temos direito. – Beatriz concordou, mas eu não consegui parar de rir da “inocência” dela.

Sarah ON

Abri meus olhos devagar, tentando me acostumar com a claridade do local, com o movimento, com as vozes altas e com a minha dor de cabeça. Eu estava na enfermaria.

         – Ela está acordando. Sarah, será que pode nos contar o que aconteceu hoje? – Um dele colocou o microfone em meu nariz. Arregalei meus olhos.

         – Você e Michael eram amigos? – Outro perguntou.

         – Já que ele está morto, você se considera vencedora por estar em segundo lugar?

         – Ele está morto? – Perguntei atordoada.

         – Gente, ela precisa descansar. – Julia tentou afastá-los de mim, mas tudo que ela conseguiu foi cair em cima de mim, fazendo com que eu berrasse de dor.

         – Calados! – Ouvi alguém berrando da porta, olhei para a mesma e vi Larissa com os olhos arregalados. – Ca-la-dos! – Soletrou gritando. – Jesus Cristo, saiam daqui!

         Ela deu passagem e todos saíram dali, menos os médicos, que estavam prensados na parede por conta da multidão anterior, Brandon, que estava sentado em outra maca e Julia, que continuava em cima de mim.

         – Obrigado. – Um dos médicos agradeceu a Larissa, que assentiu.

         – Ai amiga, como você está? Eu vim pra cá assim que soube. – Ela veio até mim, colocando a bolsa em cima de Brandon. – Oi Brandon, tudo bom? – Ele assentiu em silêncio.

         – Eu me senti como a Prim. – Ela riu.

         – Iá! Tá parecendo uma criancinha com a perna enfaixada. – Brandon e Julia riram.

         Os corredores entraram na sala e os médicos saindo. Julia sentou-se ao lado de Brandon antes que pudesse ser engolida pela multidão. Alguns deles me entregaram flores, já outros tiraram o capacete. Zayn estava na porta, com cara de poucos amigos.

         – Lo que importa es que estás bien... – Uma menina com a pele bronzeada e cabelos castanhos disse sorrindo. – ¿Hay algo que podamos hacer por usted? Debe ser dolorosa.

         – No, gracias. Sólo quiero hablar con la prensa que no me siento ganador de estar detrás de Michael. Ninguno de nosotros lo hizo. Él fue el primero y el mérito es suyo. La culpa no es mía si estarían tan codicioso ese punto. Por favor, decirles eso. – Zayn riu irônico e eu o encarei. – Algum problema, Sr. Malik?

         – Zou je kunnen vragen voor hen allemaal hier uit? – Larissa pediu para uma menina holandesa, que assentiu e levou todos para fora. – Você não, Zayn.

         – Meu Deus, ela fala holandês! – Brandon foi abraçar Larissa, mas ela se esquivou com os olhos arregalados.

         – O que a madame quer comigo? – Ele se sentou em uma das poltronas, os médicos saíram da sala. Julia cruzou os braços.

         – Vamos lá pra fora. – Julia disse, chamando Larissa e Brandon. – Deixa eles se resolverem.

         Eles saíram da sala e eu me levantei da cama com dificuldade, minha perna estava mais do que dolorida. Peguei minha bolsa e abri a mesma, o senti caminhando até mim.

         – Você é muito sonsa. – Ele disse e eu ri, negando com a cabeça.

         – Eu? Ok.

         Zayn segurou meu queixo com força, me empurrando contra a parede, eu fechei meus olhos de dor.

         – Ou a gente vira uma equipe ou você vai ter que me aguentar. - Zayn ameaçou.

         – Larga de ser fútil! – Ele riu.

         – Me respeita, Serrano. Eu estou te ajudando!

         – Sabe por que você quer que viremos uma equipe? Porque você tem o dinheiro, eu tenho a sabedoria. Sei tudo sobre essas máquinas e estou há anos na pista. Quando você ia com a farinha, eu estava voltando com o bolo pronto. – Ele apertou mais o meu rosto.

         – É, talvez seja por isso, ou pelo simples fato de que, com uma garota gostosa igual e você, eu terei muitas portas abertas. – Levou um dedo até o fecho frontal do meu roupão e foi abrindo o mesmo.

         Levei meu pé bom até seu abdome e o afastei de mim, fazendo ele esbarrar na cama, sentei-me na cama, fraca e com uma dor infernal na perna esquerda.

         – Sai daqui agora, Malik! – Vociferei. – Ou eu chamo os seguranças.

         – Chama. Eu não tô nem ai. – Ele se aproximou de mim e apertou meu rosto, me obrigando a encará-lo. Minhas bochechas estavam doloridas.

         Zayn avaliou meu rosto e fitou meus lábios. Eu virei meu rosto assim que ele começou a se aproximar lentamente de mim.
         – Vai embora. – Disse calmamente, mantendo a firmeza na voz.

         Ele saiu da sala sem dizer nada, mas a batida com força na porta deixou bem claro que ele não estava nada satisfeito em ser rejeitado duas vezes. Algo me dizia que isso não havia terminado.

Rafaella ON

Sai da academia e fui direto para a agência. Daniel havia me passado uma mensagem, dizendo que dois modelos haviam chegado. Um homem e uma mulher. Era meu dever aprová-los ou reprová-los.

         Entrei na agência já indo para a minha sala, tomando um bom banho e colocando uma das roupas. Passei um perfume forte atrás do ouvido e fui para a sala escura, onde Daniel estava sentado de forma desleixada com uma caneta na boca. Fui me sentar com ele.

         – Por quem você quer começar? – Perguntei me ajeitando.

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