“Ela tem um corpo
igual à de uma ampulheta, mas eu posso te dar a todo o momento. Ela tem um
bumbum igual ao Cadillac, mas posso te mandar uma sobremarcha.”
Sarah ON
– Vá se foder! –
Berrei para Zayn e ele riu desdenhoso, vindo atrás de mim.
– Está estressada porque eu sou o rival
mais gato por aqui. – Ele disse num tom típico de patricinha. Bufei e virei-me
de frente para ele, mandando o meu melhor olhar mortal, ele recuou, mas sem
tirar o sorriso da cara.
– Não Zayn, não é nada disso, sabe por
que eu estou estressada? Porque você não conseguiu isso com o seu mérito, só
conseguiu porque o seu pai é rico e pôs seu nome nisso. Você nunca, ouça bem
Malik, nunca vai me vencer.
– E porque, madame orgulho? – Riu
desdenhoso e eu o empurrei na mesa, ficando com o rosto próximo ao dele.
– Porque eu conheço todas as
estratégias. – Ele sorriu desdenhoso. Preciso lembrar o quanto eu odiava esse
moleque? – Sei mais do que qualquer homem de quarenta anos. E não vai ser um
pirralho de vinte e um que vai me vencer por ser um mimadinho de merda.
Ele varreu os lábios com a língua, mas
Julia entrou na sala com os cabelos loiros colados no rosto por conta do suor,
sua blusa branca estava manchada de graxa e seu short jeans estava totalmente
puído.
– Sarah, temos um problema. – Ela
anunciou ofegante, arregalei meus olhos e livrei-me do ser insignificante a
minha frente, a acompanhando até a sala de comunicação. – O Brandon não quer
terminar a corrida. – Arregalei meus olhos e senti aquele cheiro de perfume irritante
adentrando o local.
– E por que não? – Peguei o fone e o
microfone para entrar em contato com Brandon, Julia sentou-se ao meu lado.
– Ele disse que está se sentindo
enjoado, e pelo fato de não conseguir parar está se sentindo tonto. Ele vai
acabar batendo o carro.
– Não no meu turno. Brandon, você está
na escuta? – Perguntei ao microfone e ouvi tosses como resposta. – Por favor,
Brandon. Não desista. Pelo grupo.
– Niestety,
słodkie. – Engoli a seco. – Eu não queria perder, eu juro, não queria. –
Ouvi mais barulhos de tosses. – Mas se eu continuar assim, não perderei somente
a corrida, como também a minha vida. Eu estou muito mal.
– Vou comunicar aos diretores e aos juízes. Só
vai levar apenas alguns segundos. Vá desacelerando o carro e vá para o
acostamento. Fique firme, já vamos tirar você daí.
– Obrigada Sarah. – Sorri fraco. – E
desculpe por isso.
– Ah, que peninha. A maricas desistiu?
– Zayn começou assim que eu tirei o fone e desliguei o microfone de
comunicação.
Passei por ele e dei um soco de brinde
em seu pênis, fazendo com que ele gemesse de dor. Sorri e fui para a sala onde
os diretores e juízes estavam observando a corrida.
– Com licença. – Pedi e eles assentiram
sorrindo.
– Minha treinadora favorita, o que lhe
traz aqui? – Um deles perguntou. Eu adorava ser a favorita dos diretores.
Adorava.
– Um dos meus competidores não está se
sentindo muito bem. – Eles se entreolharam. – Por favor.
Um dos diretores cochichou algo para um
dos juízes e o mesmo ajeitou o microfone.
– Devido a alguns problemas técnicos,
faremos uma pausa de trinta minutos à corrida. – Suspirei aliviada. – Os
corredores devem parar seus carros imediatamente.
Ele repetiu o anúncio mais umas duas
vezes, desci as escadas do pódio e vi Brandon saindo de dentro do carro
enquanto tinha dificuldades para tirar o capacete dele. Julia o ajudou e se
afastou assim que ele começou a vomitar no chão.
Dei tapinhas de consolação em suas
costas soadas e o fiz tirar aquele macacão vermelho e quente, olhei para o lado
e vi Zayn fazendo manha para uma das mecânicas de sua equipe, ela sorriu
maliciosa e levou uma das mãos até a intimidade dele, rolei meus olhos e
encarei Brandon, o sentei em uma cadeira e ele tirou a blusa, respirando fundo.
– Traz uma água pra ele, por favor. –
Pedi a Julia e ela assentiu, indo buscar uma garrafa de água. – Você está
melhor? – Perguntei pegando uma toalha molhada e passando em seu rosto e em seu
peitoral.
– Bem melhor. – Bufou, jogando a cabeça
pra trás. – Eu tenho que voltar, deixei meus órgãos na pista. – Ri.
– O que aconteceu? Você sempre foi bom
nisso, nunca demonstrou nenhum sinal de desconforto com o carro e nem com o
macacão. Aconteceu alguma coisa? Você comeu algo que lhe fez mal?
– Eu não sei. – Ele respondeu com certo
desânimo.
Julia chegou com a garrafa de água e a
jogou no rosto de Brandon, ele sorriu aliviado e abriu a boca, deixando Julia
fazer o resto do trabalho.
Suspirei e fui até Larissa, que
assistia a toda à corrida de camarote e aproveitava para tirar algumas fotos.
– Brandon está melhor? – Ela ajeitava o
foco da câmera e batia algumas fotos dos carros dos corredores.
– Está, mas eu não acho seguro
colocá-lo para competir novamente. – Cruzei os braços e ela me encarou,
colocando as sapatilhas nos pés.
– Por que não? Ele não está melhor?
Larissa podia estar certa, eu não
queria fazer Zayn sentir o gosto da vitória, mas também não queria colocar a
saúde de Brandon em risco. Querendo ou não, ele era um competidor e também era
a minha responsabilidade, assim como todos da minha equipe. Suspirei.
– Eu queria ficar pra ver sua decisão,
mas eu preciso ir. Tenho que tirar algumas fotos para a revista da Rafaella. –
Assenti. – Fica bem, tá amiga? E não deixa um babaca como aquele te deixar pra
baixo. – Sorri amarelo e ela me abraçou.
– Obrigada por ter vindo. – Murmurei.
– E pode me chamar quantas vezes
quiser, eu sempre virei. Adoro tirar essas fotos e também adoro te fazer
companhia. – Ri. – Agora eu vou indo. – Pegou a bolsa dela e desligou a câmera,
saindo dali.
Fui até Brandon com peso em meus
ombros.
– O que você acha? – Perguntei e ele me
encarou. – Consegue continuar na corrida?
– Eu posso tentar, mas não prometo que
continuarei bem até o final. – Suspirei. – Niestety,
księżniczka.
Eu sabia que a culpa não era dele, mas
era difícil não ficar chateada. Eu não via problemas em perder, porque sabia
que, na vida, havia perdas e ganhos, mas o grande problema seria aquele
pirralho melequento e mimado tirando onda com a minha cara. Não. Eu não
deixaria essa história terminar assim.
Fui até o vestiário e peguei uma das
roupas femininas, me vesti, sorrindo ao ver que aquilo ainda fazia meu corpo
ficar mais curvilíneo, deixei o zíper de cima meio aberto, mostrando um pouco
do meu sutiã, mas eu não liguei para isso, prendi meu cabelo num coque mal
elaborado e sai do vestiário.
– A corrida se inici... Oh meu Deus, o
que é aquilo? – Um dos juízes disse e eu ri, pegando o capacete da mão de
Brandon. – Senhoras e senhores, a líder da equipe brasileira irá competir no
lugar de Brandon Nashville. – Os torcedores berraram e começaram a aplaudir meu
ato, sorri fraco e o diretor assentiu, liberando minha ação.
– É o que? – Zayn desgrudou-se da
bolacha água e sal e me encarou com ódio no olhar. – Ela não pode fazer isso!
– Está com medo, Zayn Malik? –
Aproximei-me dele e seus olhos foram em direção ao meu decote, rolei meus olhos
e fechei o zíper, o fazendo murmurar algo sobre meus seios, mas eu o ignorei. –
Já que você é tão cheio de si, porque não substitui seu competidor? Ah, eu já
sei, porque você não sabe nem como frear essa merda de automóvel.
Zayn pegou o capacete do seu corredor e
foi para o vestiário, eu ri, revirando meus olhos e fui até Brandon, a torcida
ainda estava contagiante na arquibancada.
– Eu não queria te obrigar a fazer
isso, księżniczka.
– Sinto falta das pistas. – O encarei.
– Só me diga uma coisa, estou acostumada a ser chamada de piękny, mały e gorący. – Ele riu com o último, talvez
por se lembrar da vez em que eu entrei no vestiário apenas de lingerie e ele me
chamou de “gostosa” em sua língua nativa, sem saber que eu entendia um pouco de
Polonês.
– Significa “princesa”. – Ri. – Agora
vai lá e acaba com a raça daquele imbecil. – Assenti assim que vi Malik saindo
do vestiário.

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