domingo, 25 de janeiro de 2015

Capítulo 2


“Ela tem um corpo igual à de uma ampulheta, mas eu posso te dar a todo o momento. Ela tem um bumbum igual ao Cadillac, mas posso te mandar uma sobremarcha.”

Sarah ON

– Vá se foder! – Berrei para Zayn e ele riu desdenhoso, vindo atrás de mim.

         – Está estressada porque eu sou o rival mais gato por aqui. – Ele disse num tom típico de patricinha. Bufei e virei-me de frente para ele, mandando o meu melhor olhar mortal, ele recuou, mas sem tirar o sorriso da cara.

         – Não Zayn, não é nada disso, sabe por que eu estou estressada? Porque você não conseguiu isso com o seu mérito, só conseguiu porque o seu pai é rico e pôs seu nome nisso. Você nunca, ouça bem Malik, nunca vai me vencer.

         – E porque, madame orgulho? – Riu desdenhoso e eu o empurrei na mesa, ficando com o rosto próximo ao dele.

         – Porque eu conheço todas as estratégias. – Ele sorriu desdenhoso. Preciso lembrar o quanto eu odiava esse moleque? – Sei mais do que qualquer homem de quarenta anos. E não vai ser um pirralho de vinte e um que vai me vencer por ser um mimadinho de merda.

         Ele varreu os lábios com a língua, mas Julia entrou na sala com os cabelos loiros colados no rosto por conta do suor, sua blusa branca estava manchada de graxa e seu short jeans estava totalmente puído.

         – Sarah, temos um problema. – Ela anunciou ofegante, arregalei meus olhos e livrei-me do ser insignificante a minha frente, a acompanhando até a sala de comunicação. – O Brandon não quer terminar a corrida. – Arregalei meus olhos e senti aquele cheiro de perfume irritante adentrando o local.

         – E por que não? – Peguei o fone e o microfone para entrar em contato com Brandon, Julia sentou-se ao meu lado.

         – Ele disse que está se sentindo enjoado, e pelo fato de não conseguir parar está se sentindo tonto. Ele vai acabar batendo o carro.

         – Não no meu turno. Brandon, você está na escuta? – Perguntei ao microfone e ouvi tosses como resposta. – Por favor, Brandon. Não desista. Pelo grupo.

         – Niestety, słodkie. – Engoli a seco. – Eu não queria perder, eu juro, não queria. – Ouvi mais barulhos de tosses. – Mas se eu continuar assim, não perderei somente a corrida, como também a minha vida. Eu estou muito mal.

          – Vou comunicar aos diretores e aos juízes. Só vai levar apenas alguns segundos. Vá desacelerando o carro e vá para o acostamento. Fique firme, já vamos tirar você daí.

         – Obrigada Sarah. – Sorri fraco. – E desculpe por isso.

         – Ah, que peninha. A maricas desistiu? – Zayn começou assim que eu tirei o fone e desliguei o microfone de comunicação.

         Passei por ele e dei um soco de brinde em seu pênis, fazendo com que ele gemesse de dor. Sorri e fui para a sala onde os diretores e juízes estavam observando a corrida.

         – Com licença. – Pedi e eles assentiram sorrindo.

         – Minha treinadora favorita, o que lhe traz aqui? – Um deles perguntou. Eu adorava ser a favorita dos diretores. Adorava.

         – Um dos meus competidores não está se sentindo muito bem. – Eles se entreolharam. – Por favor.

         Um dos diretores cochichou algo para um dos juízes e o mesmo ajeitou o microfone.

         – Devido a alguns problemas técnicos, faremos uma pausa de trinta minutos à corrida. – Suspirei aliviada. – Os corredores devem parar seus carros imediatamente.

         Ele repetiu o anúncio mais umas duas vezes, desci as escadas do pódio e vi Brandon saindo de dentro do carro enquanto tinha dificuldades para tirar o capacete dele. Julia o ajudou e se afastou assim que ele começou a vomitar no chão.

         Dei tapinhas de consolação em suas costas soadas e o fiz tirar aquele macacão vermelho e quente, olhei para o lado e vi Zayn fazendo manha para uma das mecânicas de sua equipe, ela sorriu maliciosa e levou uma das mãos até a intimidade dele, rolei meus olhos e encarei Brandon, o sentei em uma cadeira e ele tirou a blusa, respirando fundo.

         – Traz uma água pra ele, por favor. – Pedi a Julia e ela assentiu, indo buscar uma garrafa de água. – Você está melhor? – Perguntei pegando uma toalha molhada e passando em seu rosto e em seu peitoral.

         – Bem melhor. – Bufou, jogando a cabeça pra trás. – Eu tenho que voltar, deixei meus órgãos na pista. – Ri.

         – O que aconteceu? Você sempre foi bom nisso, nunca demonstrou nenhum sinal de desconforto com o carro e nem com o macacão. Aconteceu alguma coisa? Você comeu algo que lhe fez mal?

         – Eu não sei. – Ele respondeu com certo desânimo.

         Julia chegou com a garrafa de água e a jogou no rosto de Brandon, ele sorriu aliviado e abriu a boca, deixando Julia fazer o resto do trabalho.

         Suspirei e fui até Larissa, que assistia a toda à corrida de camarote e aproveitava para tirar algumas fotos.

         – Brandon está melhor? – Ela ajeitava o foco da câmera e batia algumas fotos dos carros dos corredores.

         – Está, mas eu não acho seguro colocá-lo para competir novamente. – Cruzei os braços e ela me encarou, colocando as sapatilhas nos pés.

         – Por que não? Ele não está melhor?

         Larissa podia estar certa, eu não queria fazer Zayn sentir o gosto da vitória, mas também não queria colocar a saúde de Brandon em risco. Querendo ou não, ele era um competidor e também era a minha responsabilidade, assim como todos da minha equipe. Suspirei.

         – Eu queria ficar pra ver sua decisão, mas eu preciso ir. Tenho que tirar algumas fotos para a revista da Rafaella. – Assenti. – Fica bem, tá amiga? E não deixa um babaca como aquele te deixar pra baixo. – Sorri amarelo e ela me abraçou.

         – Obrigada por ter vindo. – Murmurei.

         – E pode me chamar quantas vezes quiser, eu sempre virei. Adoro tirar essas fotos e também adoro te fazer companhia. – Ri. – Agora eu vou indo. – Pegou a bolsa dela e desligou a câmera, saindo dali.

         Fui até Brandon com peso em meus ombros.

         – O que você acha? – Perguntei e ele me encarou. – Consegue continuar na corrida?

         – Eu posso tentar, mas não prometo que continuarei bem até o final. – Suspirei. – Niestety, księżniczka.

         Eu sabia que a culpa não era dele, mas era difícil não ficar chateada. Eu não via problemas em perder, porque sabia que, na vida, havia perdas e ganhos, mas o grande problema seria aquele pirralho melequento e mimado tirando onda com a minha cara. Não. Eu não deixaria essa história terminar assim.

         Fui até o vestiário e peguei uma das roupas femininas, me vesti, sorrindo ao ver que aquilo ainda fazia meu corpo ficar mais curvilíneo, deixei o zíper de cima meio aberto, mostrando um pouco do meu sutiã, mas eu não liguei para isso, prendi meu cabelo num coque mal elaborado e sai do vestiário.

         – A corrida se inici... Oh meu Deus, o que é aquilo? – Um dos juízes disse e eu ri, pegando o capacete da mão de Brandon. – Senhoras e senhores, a líder da equipe brasileira irá competir no lugar de Brandon Nashville. – Os torcedores berraram e começaram a aplaudir meu ato, sorri fraco e o diretor assentiu, liberando minha ação.

         – É o que? – Zayn desgrudou-se da bolacha água e sal e me encarou com ódio no olhar. – Ela não pode fazer isso!

         – Está com medo, Zayn Malik? – Aproximei-me dele e seus olhos foram em direção ao meu decote, rolei meus olhos e fechei o zíper, o fazendo murmurar algo sobre meus seios, mas eu o ignorei. – Já que você é tão cheio de si, porque não substitui seu competidor? Ah, eu já sei, porque você não sabe nem como frear essa merda de automóvel.

         Zayn pegou o capacete do seu corredor e foi para o vestiário, eu ri, revirando meus olhos e fui até Brandon, a torcida ainda estava contagiante na arquibancada.

         – Eu não queria te obrigar a fazer isso, księżniczka.

         – Sinto falta das pistas. – O encarei. – Só me diga uma coisa, estou acostumada a ser chamada de piękny, mały e gorący. – Ele riu com o último, talvez por se lembrar da vez em que eu entrei no vestiário apenas de lingerie e ele me chamou de “gostosa” em sua língua nativa, sem saber que eu entendia um pouco de Polonês.

         – Significa “princesa”. – Ri. – Agora vai lá e acaba com a raça daquele imbecil. – Assenti assim que vi Malik saindo do vestiário.

Nenhum comentário:

Postar um comentário