sábado, 24 de janeiro de 2015

Capítulo 1


“Desafie-me a pular dessa ponte de Jersey. Aposto que você nunca teve uma noite de Sexta como esta. Continue assim, vamos levantar nossas mãos.”

Bianca ON

O idiota a minha frente já tinha os olhos lacrimejados. Sua expressão cansada me dava prazer. O brilho do suor em sua testa me fazia rir. Ele insistia em continuar virando os copos, mas o pedido de misericórdia no olhar era difícil de ser escondido. Suas caretas eram hilárias.

         Quem diria que a vadia venceria de Bruce Skyroz com tanta facilidade.

Flashback ON/Narrador ON

A garota havia entrado no bar com um sorriso triunfante no rosto. Os homens a cumprimentaram com beijos no rosto e nas mãos, alguns entregaram-lhe copos cheios até a boca com bebidas fortes, e ela os virava sem piedade. Tratavam-na como uma deusa.

         Um homem assistia tudo de longe. Ele tinha o rosto quadrado, um nariz que combinava perfeitamente com a moldura de seu rosto masculino, olhos azuis e cabelos loiros escuros. O homem tomou um gole de sua cerveja, sentindo o estômago borbulhar de ciúmes.

         Bianca Casarotti já havia ganhado dele nas vésperas de seu casamento, mas vale ressaltar um pequeno detalhe: Ela ainda era uma novata de dezesseis anos, e mesmo depois de quatro anos, ele não superara a derrota. Por Deus, ela só tinha dezesseis anos quando cantou a derrota de Bruce.

         O desafio da noite das vésperas de seu noivado era virar vinte copinhos de Whisky comum em trinta segundos; ela virou todos em quinze, e depois ainda pediu um copo de licor de canela como forma de comemoração. Como consequência disso, Bruce perdeu sua noiva, pois chegou mais bêbado do que um mendigo em casa.

         Bianca, além de rápida, tinha um estômago de bronze, uma garganta de prata e um fígado de ouro. Os olhos da mulher passearam por todo o bar, deparando-se com o homem de olhos azuis. Ela sorriu e foi até ele. Ao fundo, Laura Ellis fazia com que o ambiente parecesse um conto de Marilyn nos anos setenta.

                “You went and left me. But you never really leave me. No matter what I do, I don't mind when I dream, but I've been scalded by steam. But I try not to dream about you”.

         – Ora, ora, ora. – A garota sentou-se a frente do rapaz com um olhar sugestivo. – Só assim para eu voltar a lhe ver. Anda me evitando?

         – Sim. E, infelizmente, você acabou com todos os meus planos. – O rapaz sorriu irônico e Bianca deu de ombros, batendo as unhas grandes e com o esmalte vinho descascado sobre a mesa de madeira.

         “You say you're sorry, but you're never really sorry. Wish I could fall for someone new. Wouldn't mind if I dream. But I drowned in a stream, but I try not to dream about you.”

         A garota curvou-se, apertando os seios inconscientemente. Bruce precisou se esforçar para manter o olhar fixo em seus olhos, e não em seu decote.

         – Proponho uma trégua. – Depositou a mão em cima da mão do rapaz. – Você e eu somos os melhores. Por que não nos unimos?

         – Me unir com uma vadia igual a você? – Tirou sua mão do alcance da mulher a sua frente. – Prefiro morrer. – Todos os homens ali presentes voltaram o olhar para eles.

         Bianca era uma mulher orgulhosa, que não se unia a qualquer bunda mole que aparecesse em competições, mas Bruce era uma exceção. O homem bebia Whisky como quem bebia um simples refrigerante, e Bianca bebia Whisky misturado com 51 como se fosse água.

         E ela não levava desaforo para casa. Não mesmo.

         “When I met you, I must have been out my mind. Everybody said: ‘He'll do you wrong’, but you kiss me”

         Os olhos da mulher chamuscaram e ela se levantou, batendo na mesa e indo até o balcão. Sua mão gélida e habilidosa em pegar copinhos e garrafas alcançou uma das suas preferidas: Whisky picante.

         Ela pediu uma bandeja com copinhos para o Sr. Lemmertz, o dono do bar. O homem velho e gorducho que fedia a peixe se apressou em pegar tudo, já sabendo do que se tratava. Bianca sentou-se a mesa e abriu a garrafa, encarando Bruce com desprezo.

         – O que pretende? Me fazer competir com você? Vá em frente. Você não vai me convencer, sua vadia.

         – Cala essa merda de boca, seu puto desgraçado. – Ela berrou e Bruce abaixou suas asinhas, se encolhendo no banco.

         Os homens uivaram. A garota foi até o homem e passou os braços por seu pescoço soado.

         – Vamos nessa, Bruce. – Segurou firme em seu rosto, obrigando-o a olhar para a garrafa de vidro. – Você não tem sede por vingança?

         “For awhile you were kind and every dream begins so sweetly. Then it goes to hell, completely.”

         – Não sou uma barata igual a você, vadia. – A mulher riu.

         – Então, por causa disso, vamos beber.

         Lemmertz chegou com os copinhos e Bianca largou sua vítima, sentando-se em seu lugar.

         – Tudo bem, Bianca. Vamos logo com isso. – O homem suspirou derrotado. – Não tenho uma vida toda pra perder com você.

         A mulher a sua frente encheu os copos com um sorriso triunfante e malicioso no rosto.

         “You said you love me, but you never really love me. You're sweet, sincere, and so untrue.”

Bianca ON

– E o vencedor da noite é... – Bruce me encarou com olhos tristes e cansados, completamente soado. Ri e entreguei o último copinho ao juiz, abrindo a minha boca, ele riu e entornou o conteúdo em minha boca. Bruce levantou-se derrotado e eu fui atrás dele. – Bianca Casarotti! – Ele berrou e os homens comemoraram.

         Segurei o braço de Bruce assim que ele parou na calçada, o puxei e ele negou com a cabeça.

         “A night I don't dream is a good night, 'cause I can't stop dreaming about you.”

                – E eu ainda achei que tinha chances contra você. – Riu nasalado. – Vai embora! – Vociferou e eu o encarei. – Você é a campeã, pra que se importar?

         – Eu...

         Bruce me puxou pela cintura e devorou meus lábios, fechei meus olhos, aproveitando o gosto irresistível e picante de Whisky em seus lábios carnudos.

         “Even though I try not to dream about you, wish I didn't dream about you...”

Rafaella ON

Terminei de desenhar o último vestido do desfile que aconteceria no final de semana. Seria na Praia de Copacabana e os meus nervos estavam à flor da pele.

         Eu fizera com que meu irmão e minhas amigas prometessem que estariam lá, e isso parou de me deixar tão ansiosa da forma que eu estava, – a ponto de fazer com que eu arrancasse metade do meu lábio inferior – mas não acabou totalmente com ela.

         – Toc, toc? – Louis entrou na sala e eu sorri animada, pulando em seus braços e apertando seu pescoço. – Perai, porra. Quer me matar? – Ri.

         – Você e essa sua boquinha suja. – Ele fez uma careta pelo fato de eu ter beijado a ponta de seu nariz. Soltei-me dele e fui até os desenhos. – Vem ver meus desenhos. – Afastei a cadeira da mesa de desenhos e ele se sentou, avaliando meus desenhos. Fui até o canto da minha sala e peguei um copo de água para ele. – Por favor, seja sincero comigo. – Entreguei o copo para ele e acariciei seus cabelos, apoiando meu queixo no topo de sua cabeça.

         – Estão ótimos. – Ele disse passeando o olhar calmamente pelas folhas. – Estão maravilhosos. Estão perfeitos. – Ele me encarou e eu sorri. – Você vai arrasar nesse desfile.

         – Obrigada. Eu espero que você esteja certo. – Ele riu, bebendo a água.

         – Hm. – Parou de beber a água. – Eu vou indo, tá? Tenho que levar as encomendas do Hospital. – Beijou minha testa.

         – Você vai mesmo no Sábado, né? – Perguntei insegura.

         – Eu prometi, não prometi? – Assenti. – Então é claro que eu vou. – Sorri. – Tchau pequena, e vê se fica calma. – Saiu dali. Suspirei enquanto encarava meus desenhos. Como eu não iria ficar nervosa? 

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