“E na saída da aula,
foi estranho e bonito, todo o mundo cantando baixinho: ‘Strawberry Fields
Forever, Strawberry Fields Forever’, e até hoje, quem se lembra, diz que não
foi o caminhão, nem a curva fatal e nem a explosão. Johnny era fera demais pra
vacilar assim, e o que dizem que foi tudo por causa de um coração partido.”
Sarah ON
Era a nossa segunda
volta e eu me sentia mais do que incrível por estar bem a frente de Zayn.
Michael, um competidor dos Estados Unidos, estava liderando a corrida.
Mas, em uma curva fatal, ele
simplesmente acelerou o carro e bateu, fazendo todos pararem o carro, o que
levou alguns segundos.
– É, parece que a corrida não era pra
acontecer hoje, hein? O corredor Michael, representando os Estados Unidos,
acabou de colidir-se com a mureta.
E então, antes que o narrador pudesse
continuar falando, o carro dele explodiu, me lançando pra longe, minhas costas
bateram no chão e o impacto me deu dor de cabeça, fazendo com que tudo ficasse
escuro e que eu não tivesse mais consciência de nada.
Bianca ON
Acordei com o sol
batendo em meu rosto e abri meus olhos devagar, tentando me acostumar com a
claridade. Eu estava com uma dor de cabeça terrível e meu corpo estava mega
dolorido.
Cenas da noite anterior invadiram minha
cabeça e eu olhei pro lado, vendo Bruce abrindo os olhos, ele abriu os olhos
completamente e nós nos encaramos bem antes de começarmos a rir como dois
idiotas, ele selou meus lábios e eu puxei seu rosto, o beijando.
– Bom dia. – Ele murmurou, eu me
levantei. – Poxa, fica mais um pouco. – Ele pediu com tristeza na voz.
– Nem sua noiva te aturou, imagine se
eu vou conseguir fazer isso. – Disse rindo e peguei meu sutiã, o vestindo.
– Ontem à noite você me beijou com...
Tanto amor, pelo que estamos acostumados a sentir um pelo outro...
– Pelo que você está acostumado a
sentir, porque eu nunca senti nada por você. – Pisquei atrevida e peguei minha
calcinha, a vestindo e indo até Bruce, que se ajeitou na cama, ficando sentado.
– Não dificulta. – Cantarolei, pegando minha blusa do chão. – Você não quer ter
um final assim. Para e me escuta. – Vesti minha blusa. – Tudo é uma noite,
basta, chega e fim.
– Bianca. – Ele me chamou, se
levantando da cama quando viu que eu estava indo embora, peguei minha calça e a
vesti.
– Faço e desfaço, o que é meu eu pego
para mim. Deixa de medo, agora eu quero ouvir um sim. – Ele bufou e pegou a
calça dele, a vestindo. Virei-me pra ele e o puxei. – E eu não prometo
comprometimento cumprimento e meto uma de bom rapaz. – O empurrei na cama. –
Você promete, compromete e mete o dedo na ferida e não me fere mais. – Peguei
minha bolsa e sai dali. – E não me peça paz. – Fechei a porta.
Coloquei meus óculos escuros para
disfarçar minhas olheiras e fui andando em passos lentos pra casa, não sem
antes passar no bar e tomar uma cerveja gelada de café da manhã. Meu celular
começou a tocar, era Bruce. Eu atendi.
– E ainda peço só que o mundo gire em
meu favor, não tem mais conversa, eu dou meu valor. Agora eu quero é mais. Eu
sou assim mesmo, só! – Desliguei o celular a o abri, tirando o chip e quebrando
o mesmo.
Terminei de tomar minha cerveja e sai
do bar, dessa vez indo para casa. Entrei no condomínio e adentrei no meu
edifício, conversei um pouco com o guarda e ele riu ao ver meus olhos que
entregavam toda a minha ressaca.
Eu subi até meu apartamento pelo
elevador e joguei-me no sofá, disposta a dormir. Imagens da noite anterior
invadiram minha cabeça novamente, me fazendo ter vontade de vomitar. Por que eu
havia feito aquilo? Eu respondo: Porque ficava mais bêbada do que devia pra
afundar minhas mágoas.
Larissa ON
– Pronto, acabei. –
Ele disse sorridente e eu fui até ele, curiosa pra saber como o desenho havia
ficado. – Ficou como eu esperava, e você não precisa ver. – Ele escondeu o desenho de mim.
– Ah, tá bom. Quanto fica? – Perguntei sorrindo. Ele riu.
– Estamos quites. Uma foto por um
desenho. Um desenho por uma foto. – Sorri. – Mas, se quiser mesmo me pagar,
pode aceitar ir a praia comigo.
– Só se for agora. Eu adoro ir à praia,
dá pra tirar foto de tantas coisas. – Ajudei-o a se levantar. – Principalmente
do céu. – Sai correndo loucamente pra ponte que dava caminho pra praia. – O
último a chegar é um ovo podre. – Berrei e Liam veio correndo atrás de mim, me
fazendo rir.
– Assim não vale. Você foi primeiro. –
Ele berrou e eu ri, subindo na ponte.
– Olha o tamanho das suas pernas e olha
as minhas. – Berrei e ele começou a rir.
Liam passou rapidamente por mim e eu
gritei frustrada, tentando acelerar mais, mas ele já havia chegado à praia.
Comecei a andar lentamente e cheguei lá respirando fundo.
– Você tá bem? – Ele perguntou
preocupado.
– Estou ótima, só perdi um pouco o
fôlego. – Respirei fundo. – Vamos sentar?
Nós nos sentamos na areia, ele começou
a me fitar às vezes e eu o encarei, vendo que ele voltara a me desenhar. Sorri
envergonhada e ajeitei o meu cabelo, sentindo minhas bochechas ferverem.
– É sério? Vai ficar me desenhando
toda hora? – Perguntei baixinho e ele sorriu.
– Você é desenhável. – Sorri e ele
continuou me desenhando. – Eu não perguntei uma coisa, qual é o seu nome?
– Larissa. – Ele sorriu.
– O meu é Liam.
Rafaella ON
Sai da minha sala
assim que Emily me chamou para ajudar no ensaio fotográfico para a divulgação
do desfile em Copacabana.
As modelos estavam de pé no centro da
sala, usando apenas lingeries. E, a maioria delas, havia sido desenhada por
mim. Daniel veio até mim segurando dois vestidos de modelos iguais, sendo um
laranja e o outro laranja brilhante.
–
Eu não sei qual escolher. Ficaria indeciso se fosse você, são tão diferentes...
– O encarei.
– Use o sem brilho. Dê mais atenção às
cores chamativas. – Fui até a mesa onde havia amostras de posições para as
modelos. – Vamos focar em uma coisa: É Rio de Janeiro. Fauna, flora e cores.
– Como quiser. – Daniel disse sorrindo
e colocou o vestido em uma modelo com pele bronzeada e com os cabelos dourados.
– Você está um arraso, Camila. Vai deixar todos de queixo caído. – A garota
sorriu. – Preciso de batom aqui. – Ele apertou a bochecha dela e duas
maquiadoras foram fazer o que Daniel havia mandado. – Rafinha, você não acha
que você também podia posar para uma foto da divulgação? Uma descontraída,
junto com todas as modelos.
– Tá ficando maluco? – Perguntei com os
olhos arregalados, o fazendo rir. – Eu nunca fui fotogênica. Isso é um trabalho
delas.
–
Quem é gostosa não precisa ser fotogênica. – Ri. – Judith, você quer que eu vá
ai te ensinar como passar uma porcaria de um batom, queridinha?
Beatriz ON
Entrei em casa e me
sentei no sofá, sentindo minha cabeça doer e meus olhos se encherem de
lágrimas. Como eu pagaria os medicamentos do meu avô, agora? Onde eu iria
trabalhar? O que eu iria fazer?
Pra ser sincera, eu nunca fui muito fã
de jornalismo, mas era o que tinha de disponível, mas e agora? Pra onde eu
iria? Eu estava perdida. Estava em uma ilha, cercada de problemas.
– Beatriz, minha filha, o que
aconteceu? – Meu avô perguntou descendo as escadas, enxuguei meus olhos e o
encarei com um sorriso falso no rosto.
– Nada que o senhor tenha que se
preocupar, vô. – Funguei. – Bem, vou me arrumar porque hoje tem academia junto
com as meninas. O senhor tomou todos os seus remédios? – Fui até a cozinha.
– Sim. Tomei todos eles. Chegou outra
revista hoje. – Ele sorriu.
Meu avô tinha um fetiche por ler
revistas que falavam sobre viagens para diferentes lugares de todo o mundo. Ás
vezes eu o questionava sobre o motivo, já que ele nunca poderia conhecer esses
lugares, a resposta dele é sempre a mesma: “Eu não posso ir, mas eu posso sonhar”.

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