domingo, 25 de janeiro de 2015

Capítulo 4


“E na saída da aula, foi estranho e bonito, todo o mundo cantando baixinho: ‘Strawberry Fields Forever, Strawberry Fields Forever’, e até hoje, quem se lembra, diz que não foi o caminhão, nem a curva fatal e nem a explosão. Johnny era fera demais pra vacilar assim, e o que dizem que foi tudo por causa de um coração partido.”

Sarah ON

Era a nossa segunda volta e eu me sentia mais do que incrível por estar bem a frente de Zayn. Michael, um competidor dos Estados Unidos, estava liderando a corrida.

         Mas, em uma curva fatal, ele simplesmente acelerou o carro e bateu, fazendo todos pararem o carro, o que levou alguns segundos.

         – É, parece que a corrida não era pra acontecer hoje, hein? O corredor Michael, representando os Estados Unidos, acabou de colidir-se com a mureta.

         E então, antes que o narrador pudesse continuar falando, o carro dele explodiu, me lançando pra longe, minhas costas bateram no chão e o impacto me deu dor de cabeça, fazendo com que tudo ficasse escuro e que eu não tivesse mais consciência de nada.

Bianca ON

Acordei com o sol batendo em meu rosto e abri meus olhos devagar, tentando me acostumar com a claridade. Eu estava com uma dor de cabeça terrível e meu corpo estava mega dolorido.

         Cenas da noite anterior invadiram minha cabeça e eu olhei pro lado, vendo Bruce abrindo os olhos, ele abriu os olhos completamente e nós nos encaramos bem antes de começarmos a rir como dois idiotas, ele selou meus lábios e eu puxei seu rosto, o beijando.

         – Bom dia. – Ele murmurou, eu me levantei. – Poxa, fica mais um pouco. – Ele pediu com tristeza na voz.

         – Nem sua noiva te aturou, imagine se eu vou conseguir fazer isso. – Disse rindo e peguei meu sutiã, o vestindo.

         – Ontem à noite você me beijou com... Tanto amor, pelo que estamos acostumados a sentir um pelo outro...

         – Pelo que você está acostumado a sentir, porque eu nunca senti nada por você. – Pisquei atrevida e peguei minha calcinha, a vestindo e indo até Bruce, que se ajeitou na cama, ficando sentado. – Não dificulta. – Cantarolei, pegando minha blusa do chão. – Você não quer ter um final assim. Para e me escuta. – Vesti minha blusa. – Tudo é uma noite, basta, chega e fim.

         – Bianca. – Ele me chamou, se levantando da cama quando viu que eu estava indo embora, peguei minha calça e a vesti.

         – Faço e desfaço, o que é meu eu pego para mim. Deixa de medo, agora eu quero ouvir um sim. – Ele bufou e pegou a calça dele, a vestindo. Virei-me pra ele e o puxei. – E eu não prometo comprometimento cumprimento e meto uma de bom rapaz. – O empurrei na cama. – Você promete, compromete e mete o dedo na ferida e não me fere mais. – Peguei minha bolsa e sai dali. – E não me peça paz. – Fechei a porta.

         Coloquei meus óculos escuros para disfarçar minhas olheiras e fui andando em passos lentos pra casa, não sem antes passar no bar e tomar uma cerveja gelada de café da manhã. Meu celular começou a tocar, era Bruce. Eu atendi.

         – E ainda peço só que o mundo gire em meu favor, não tem mais conversa, eu dou meu valor. Agora eu quero é mais. Eu sou assim mesmo, só! – Desliguei o celular a o abri, tirando o chip e quebrando o mesmo.

         Terminei de tomar minha cerveja e sai do bar, dessa vez indo para casa. Entrei no condomínio e adentrei no meu edifício, conversei um pouco com o guarda e ele riu ao ver meus olhos que entregavam toda a minha ressaca.

         Eu subi até meu apartamento pelo elevador e joguei-me no sofá, disposta a dormir. Imagens da noite anterior invadiram minha cabeça novamente, me fazendo ter vontade de vomitar. Por que eu havia feito aquilo? Eu respondo: Porque ficava mais bêbada do que devia pra afundar minhas mágoas.

Larissa ON

– Pronto, acabei. – Ele disse sorridente e eu fui até ele, curiosa pra saber como o desenho havia ficado. – Ficou como eu esperava, e você não precisa ver. – Ele escondeu o desenho de mim. 

         – Ah, tá bom. Quanto fica? – Perguntei sorrindo. Ele riu.

         – Estamos quites. Uma foto por um desenho. Um desenho por uma foto. – Sorri. – Mas, se quiser mesmo me pagar, pode aceitar ir a praia comigo.

         – Só se for agora. Eu adoro ir à praia, dá pra tirar foto de tantas coisas. – Ajudei-o a se levantar. – Principalmente do céu. – Sai correndo loucamente pra ponte que dava caminho pra praia. – O último a chegar é um ovo podre. – Berrei e Liam veio correndo atrás de mim, me fazendo rir.

         – Assim não vale. Você foi primeiro. – Ele berrou e eu ri, subindo na ponte.

         – Olha o tamanho das suas pernas e olha as minhas. – Berrei e ele começou a rir.

         Liam passou rapidamente por mim e eu gritei frustrada, tentando acelerar mais, mas ele já havia chegado à praia. Comecei a andar lentamente e cheguei lá respirando fundo.

         – Você tá bem? – Ele perguntou preocupado.

         – Estou ótima, só perdi um pouco o fôlego. – Respirei fundo. – Vamos sentar?

         Nós nos sentamos na areia, ele começou a me fitar às vezes e eu o encarei, vendo que ele voltara a me desenhar. Sorri envergonhada e ajeitei o meu cabelo, sentindo minhas bochechas ferverem.

         – É sério? Vai ficar me desenhando toda hora? – Perguntei baixinho e ele sorriu.

         – Você é desenhável. – Sorri e ele continuou me desenhando. – Eu não perguntei uma coisa, qual é o seu nome?

         – Larissa. – Ele sorriu.

         – O meu é Liam.

Rafaella ON

Sai da minha sala assim que Emily me chamou para ajudar no ensaio fotográfico para a divulgação do desfile em Copacabana.

         As modelos estavam de pé no centro da sala, usando apenas lingeries. E, a maioria delas, havia sido desenhada por mim. Daniel veio até mim segurando dois vestidos de modelos iguais, sendo um laranja e o outro laranja brilhante.

         – Eu não sei qual escolher. Ficaria indeciso se fosse você, são tão diferentes... – O encarei.

         – Use o sem brilho. Dê mais atenção às cores chamativas. – Fui até a mesa onde havia amostras de posições para as modelos. – Vamos focar em uma coisa: É Rio de Janeiro. Fauna, flora e cores. 

         – Como quiser. – Daniel disse sorrindo e colocou o vestido em uma modelo com pele bronzeada e com os cabelos dourados. – Você está um arraso, Camila. Vai deixar todos de queixo caído. – A garota sorriu. – Preciso de batom aqui. – Ele apertou a bochecha dela e duas maquiadoras foram fazer o que Daniel havia mandado. – Rafinha, você não acha que você também podia posar para uma foto da divulgação? Uma descontraída, junto com todas as modelos.

         – Tá ficando maluco? – Perguntei com os olhos arregalados, o fazendo rir. – Eu nunca fui fotogênica. Isso é um trabalho delas.

         – Quem é gostosa não precisa ser fotogênica. – Ri. – Judith, você quer que eu vá ai te ensinar como passar uma porcaria de um batom, queridinha?

Beatriz ON

Entrei em casa e me sentei no sofá, sentindo minha cabeça doer e meus olhos se encherem de lágrimas. Como eu pagaria os medicamentos do meu avô, agora? Onde eu iria trabalhar? O que eu iria fazer?

         Pra ser sincera, eu nunca fui muito fã de jornalismo, mas era o que tinha de disponível, mas e agora? Pra onde eu iria? Eu estava perdida. Estava em uma ilha, cercada de problemas.

         – Beatriz, minha filha, o que aconteceu? – Meu avô perguntou descendo as escadas, enxuguei meus olhos e o encarei com um sorriso falso no rosto.

         – Nada que o senhor tenha que se preocupar, vô. – Funguei. – Bem, vou me arrumar porque hoje tem academia junto com as meninas. O senhor tomou todos os seus remédios? – Fui até a cozinha.

         – Sim. Tomei todos eles. Chegou outra revista hoje. – Ele sorriu.

         Meu avô tinha um fetiche por ler revistas que falavam sobre viagens para diferentes lugares de todo o mundo. Ás vezes eu o questionava sobre o motivo, já que ele nunca poderia conhecer esses lugares, a resposta dele é sempre a mesma: “Eu não posso ir, mas eu posso sonhar”.

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